sábado, 26 de março de 2011

A RATOEIRA

É normal esperarmos que o Governo em qualquer esfera, faça alguma coisa por nos ou pelos “menos favorecidos”, termo que definitivamente não concordo, mas faz parte do nosso vocabulário sócio-político.
Nunca a responsabilidade é nossa. Muito embora nos últimos anos, algumas empresas ou pessoas físicas descobriram que ajudar alguém ou alguma comunidade, além de ser politicamente correto fica bem na “fita”, é só acontecer alguma catástrofe, que aparece bonzinhos de todos os lados querendo ajudar e de quebra sair na foto para algum jornal ou revista, e acho sinceramente que a natureza esta gostando da idéia, e vez por outra temos em algum lugar do planeta uma catástrofe.
 Mesmo assim existem alguns ou a maioria, principalmente os Políticos que ficam passando o problema para frente ou para outro resolver.
O Vereador fala que a culpa é do Prefeito que por sua vez diz que é dos Deputados que por sua vez diz que a culpa é do Governador, que não é bobo diz que é do Presidente e por ai vai.
Tem um causo que se adapta muito bem para esta situação:
Uma velha senhora morava sozinha num rancho longe de todos a não ser um único vizinho, que lhe ajudava nas coisas domestica. A noite caiu, ela fez um delicioso bolo, colocou-o sobre a mesa, ouviu um barulho, era um rato, então armou a ratoeira e foi dormir. O rato procurou a galinha, pediu para ajudá-lo a desarmar a ratoeira, a galinha disse que não gostava de bolo, e não iria ajudar.
Desconsolado procurou o porco. Depois de algumas gargalhadas o suíno esquivou-se e disse que apesar do bolo ser feito de milho, seu prato principal, estava cansado e não era problema seu.       
O pobre ratinho sem mais alternativa procurou a vaca, que de cara disse que não era problema dela e onde já se viu vaca comer bolo? O rato desconsolado foi dormir com fome.
Lá pelas tantas da noite a velha senhora ouviu um barulho, julgou ser a ratoeira, foi até a cozinha, para sua surpresa era uma cobra e acabou picando-a.
 Ficou muito doente, o vizinho que não era curandeiro mais sabia que uma sopa de galinha bem quente poderia curá-la, então matou a galinha.
Passaram dois dias e nada de melhorar, chamaram alguns parentes, vieram de longe, e para alimentar aquele “povaréu” precisou matar o porco.
Depois de uma semana ela veio a falecer. A família era numerosa, precisou matar a vaca para alimentar aquela multidão.
A vida é assim, às vezes quem precisa de nossa ajuda é exatamente aquele que não sofrerá as conseqüências, quando achamos que o problema não é nosso.
 Portanto, quando der, desarme a ratoeira.


Brasil verás que um filho teu não foge à luta.
Hélio Fernandes
Publicado em agosto de 2005
Jornal da Estrada Real

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